sábado, 7 de março de 2015

Entrevista Antonieto Pereira fala de sua arte e sua criação, o Vigia!

Há um fenômeno que aos poucos toma forma e força: o crescimento do numero de produções e publico dos super heróis criados aqui, em tempos que editoras como Marvel e Dc perdem terreno e mercado par forças com a RAJ Comics ( Vendendo mais que ambas as editoras americanas juntas )
este crescimento com certeza se deve ao conteúdo que o artista brasileiro imprime em suas hq´s; ação, emoção, humanismo ou seja a antiga e vitoriosa formula que tanto agrada aos fãs do gênero e que as grandes editoras esqueceram em meio tantas Guerras, Sagas Cósmicas apelativas e reformulações desnecessárias.
Antonieto Pereira é destes novos talentos, fazendo hq´s com competência e entusiasmo ele acaba de lançar o primeiro título próprio de seu herói, o VIGIA, pela Universo Editora e nós fomos espiar um pouco mais de perto o trabalho deste promissor quadrinhista!



Fale um pouco de sua trajetória com quadrinhos e sua predileção pelo estilo super heróis?


Antonieto- O meu primeiro contato com o mundo dos quadrinhos aconteceu quando eu tinha aproximadamente 8 anos de idade, praticamente no período em que eu estava aprendendo a ler.
A minha primeira revista em quadrinhos que tive contato foi o casamento de "Tio Patinhas #2", lançada pela editora Abril. Depois dessa revista foi um pulo para o universo dos super-heróis. 
Por incrível que pareça a edição #1 do Super-Homem lançada pela mesma editora do Tio Patinhas (editora Abril) foi a revista que me levou a se apaixonar pelos super-heróis, depois disso foi um pulo para os desenhos. Aí eu não parei mais. apesar de o gênero super-heróis estar um pouco saturado, eu utilizo para poder contar as histórias, pois os universos deles são fascinantes. 
Antes de criar o "Vigia", eu já desenvolvi vários outros personagens, inclusive a alguns anos atrás,
lancei uma revista mix chamada "Impacto Quadrinhos Potiguares", na qual saiu só apenas 3 números.

Como se deu o processo de criação de seu personagem Vigia, fale um pouco sobre ele.
Antonieto - Bem, o processo de criação do Vigia, se deu após me tornar fã do Demolidor.
Também se deveu a vários assuntos relacionados sobre violência na cidade de São Paulo no qual me veio a ideia de criar um vigilante do crime que ajudasse a diminuir a violência na cidade. 
Após vários estudos em 2001 fiz os primeiros esboços do personagem, e o denominei de o "Sentinela", lançando em fanzine P&B no qual só saiu a edição #1, depois engavetei e dois anos depois resolvi reformulá-lo e passei a chamá-lo de "Vigia" que é um ex-promotor público que ao tentar colocar atrás das grades um dos homens mais ricos da cidade sofre as consequências de mexer com o homem poderoso. Por causa do ato, o ex-promotor sofre um atentado no qual perde a sua esposa grávida de cinco meses. Cinco anos depois o ex-promotor volta como o "vigia" pra se vingar do homem que tirou a vida de quem ele mais amava...a sua esposa.
   

Como é para desenvolver algo no Brasil neste estilo?
Antonieto - Olha, pra falar a verdade, não é tão fácil, mas muitas mudanças vem acontecendo no
universo dos quadrinhos brasileiros, principalmente de uns dez anos atrás pra cá o índice de
produções alternativas vem aumentando, fazendo com que os nosso quadrinhos sejam mais
valorizados. Com o surgimento de várias editoras que lançam terror, albúns e outros gêneros
não podemos deixar de citar a "Universo Editora ", que vêm ajudar o universo dos super-heróis brasileiros a serem mais vistos. acredito que estamos aos poucos criando o nosso espaço, que em breve, possamos ter um mercado seguro e próspero pra todos...
Aqui gostaria de citar também, a "Júpiter2 Editora", criada pelo nobre amigo José Salles com sua ajuda, que ao longo desses dez anos vêm dando a sua contribuição para os quadrinhos nacionais, com lançamentos que variam da ficção à romance, editora para a qual ilustro uma revista chamada "Tiras vs Monstros", criação de José Salles em parceria comigo. Em relação ao gênero super-herói estamos conseguindo aos poucos criarmos o nosso público. agradecendo muito a mídia que aborda assuntos referentes ao universo dos quadrinhos brasileiros e especialmente a blogs como o seu que vem dando um apoio muito grande.

Qual o diferencial para se criar um personagem com características nacionais?

Um diferencial? deixa ver...eu acho que os nossos super-heróis nacionais se diferencia dos americanos só quando são baseados em nossa cultura, criados de acordo com a nossa realidade, apesar de alguns serem baseados nos super-heróis americanos. Mas vejo que aos poucos vamos trabalhando estórias que ajudam os super-heróis brasileiros a se habituarem mais com a nossa cultura; gostaria de dizer àqueles que trabalham os Super-Brazucas que criemos estórias mais envolventes, utilizando costumes e assuntos de nossa realidade, fazendo assim com que os nossos super-heróis sejam mais familiarizados conosco, é só prestarmos atenção, por que as nossas novelas fazem tanto sucesso...são as estórias que envolvem os telespectadores, por que não devemos usar os mesmos métodos em nossos quadrinhos de super-herois, hein?


Qual é seu metodo particular de trabalhar o super herói nacional?
Antonieto - olha, o método que costumo muito usar é colocar o super-herói dentro da nossa realidade, eu costumo sempre de usar o personagem dentro do contesto brasileiro, tento usar cenários de acordo com a história que pego pra ilustrar, seja numa floresta onde faço alguma fauna brasileira ou algum cenário urbano quando o roteiro pede. Eu geralmente gosto muito de fazê-los o mais próximo de nossa realidade, esse é a forma que gosto de usar. 
Veja na edição #1 do Vigia por exemplo, o cenário é a cidade de São Paulo, eu a caracterizo ilustrando o edifício mais representativo da cidade que é aquele prédio em forma "S" ( famoso edifício típico do centro de SP) . E é isso, mas eu ainda estou procurando um método mais prático de trabalhar os nossos super-heróis.


     

É fato conhecido que Marvel e Dc tem perdido fãs ao longo dos anos devido à queda de qualidade vertiginosa em seus roteiros, inclusive nem são mais a maior editora do gênero, tendo a indiana RAJ comics vendendo mais que as duas juntas com seus super heróis, qual sua visão desse processo?
Antonieto - Isso mostra que os super-heróis amerinanos não tem mais aquele poder , devemos ver que estamos em outra realidade, em outro século. quando o mundo passou a ser globalizado, compartilhando conhecimentos com a criação da internet, que certos comportamentos mudaram a lógica do planeta. A India está na nossa frente, enquanto a gente ainda esta criando o nosso espaço eles já desenvolveram há muito tempo. Sim, as vendas deram suas contribuições, mas acredito que eles introduziram as suas estórias dentro das suas próprias realidades, explorando assuntos que dizem respeito à sua cultura própria.
Os Indianos são o segundo país mais populoso do mundo, atrás apenas da China, eu sempre digo nas rodas de conversas de amigos que curtem "hqs", um dia quem sabe a gente não tenha nosso  próprio mercado como os indianos?

Fale sobre o seu processo de trabalho.
Antonieto- Bem, o meu processo de trabalho é o seguinte: Leio o roteiro três vezes, visualizando as cenas, depois esboço as páginas indicando a quantidade de quadros e as ações da estória e finalmente passo para o processo das ilustrações propriamente ditas. Eu não tenho horário certo de trabalhar, mas eu sempre uso mais a parte da manhã e da tarde pra ilustrar as páginas, até porque financeiramente falando não ganho nada, mas só o fato de poder contribuir com o quadrinho nacional já está de bom tamanho. Assim que termino de desenhar as páginas arte-finalizadas, digitalizo todas e coloco as letras. 

Quais os artistas que mais te influenciam?
Antonieto - Os artistas que eu admiro bastante são, os americanos (Jonh Byrne, Frank Miller, Sal Buscema), e os brasileiros (Watson Portela, que tive a honra de poder participar de uma oficina ministrada por ele em Natal 1997), e Mike Deodato, Ed Benes. 

E no momento em que esta trabalhando?
Antonieto - No momento estou terminando uma hq do Crânio de Francinildo Sena, para a edição #3 que irá ser lançada pela universo editora, do amigo gil mendes, além de paralelamente está trabalhando na segunda edição do vigia, e na edição #5 da série "tiras vs monstros" da editora júpiter2, eescrendo um livro sobre as histórias em quadrinhos em nosso município, e procurando patrocinador aqui local pra poder lançar uma hq que fiz sobre a padroeira da cidade que moro, "santa rita de cássia em quadrinhos". 
  
Fale sobre a publicação da revista do Vigia pela Universo Editora.
Antonieto - Bem, a Universo Editora apareceu na hora certa, dando a oportunidade de poder lançar esse projeto que eu venho desenvolvendo há um ano. Gostaria de dizer que a série o Vigia continua a ser produzida, como estou super atarefado com outros projetos, vou aos poucos desenvolvendo a trama. Só espero que não deixem de acompanhar as edições seguintes e vejam o resultado que venho trabalhando nos roteiros. 
    
Obrigado antonieto, é um prazer ter voce em nosso espaço, o espaço esta sempre aberto!
Antonieto - Obrigado a você Ed, por poder dar está oportunidade de poder contribuir com os quadrinhos brasileiros.

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Um comentário:

  1. É muito bom ver os artistas nacionais se dedicando ao quadrinho nacional, parabéns ao Antonieto Pereira pelo trabalho e ao Ed pela entrevista. Concordo que temos que trabalhar com nossa cultura, nosso cotidiano e tudo que nosso Brasil oferece aos criativos artistas nacionais.

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