quarta-feira, 11 de março de 2015

Entrevista com Juliano Rocha autor do Resistente!

Mercado de hqs brasileiras aquecido, muitos grupos surgindo com novos e maravilhosos trabalhos e como numa cadeia de eventos interligados vemos cada vez mais surgirem em sequência, trabalhos que nos maravilham, um destes casos é o Resistente, personagem do roteirista e ilustrador Juliano Rocha. 

Juliano lançou no formato digital duas aventuras para apresentar o personagem ao publico que chamaram bastante atenção na internet e agora prepara-se para lançar o personagem em formato albúm assim que seu projeto no site Catarse for aprovado.
Vamos conhecer um pouco mais deste talentoso artista! 

Fale um pouco de como se envolveu com quadrinhos e sua predileção pelo estilo super heróis?
Juliano -  Acho que foi por causa do desenho. Sempre desenhei, e vi nos quadrinhos uma forma de usar essa linguagem. Lembro que quando garoto, não tinha grana para comprar quadrinhos, então resolvi fazer as minhas próprias HQ's. Os super heróis eu conheci por causa dos desenhos animados dos anos 80 e consequentemente veio os quadrinhos.

Fale um pouco de suas criações até o momento!
Juliano -  Em 1995 eu criei o personagem Capitão Brasil e até 2001 publiquei suas tiras em alguns jornais. Em 2003 lancei sua primeira revista. Fiquei sem desenhar até 2010 quando retomei as tiras do Capitão Brasil e em 2012 publiquei mais uma revista deste personagem. E em 2012 também, criei o Resistente, publiquei a primeira edição em 2013 e a segunda edição em 2014.


Seu personagem Resistente é bem no estilo dos super heróis clássicos da era de ouro! Fale sobre ele!
Juliano -  Eu sempre gostei de personagens com uniformes mais limpos, clean, como o Demolidor por exemplo. Quando criei o Resistente não pensei muito nos heróis clássicos, meu desejo era criar um personagem fácil de desenhar mas que ao mesmo tempo tivesse um visual marcante. Acredito que tenha criado para o Resistente um universo bem vasto que ainda renderá muitas histórias.

Como é para você desenvolver algo no Brasil neste estilo?
Juliano - Eu acho demais, sempre imaginei o Super Homem voando por São Paulo ou o Batman andando pelas ruas do Rio de Janeiro. Acho que é tudo uma questão cultural, de abrir a mente.


Apesar de algum preconceito isolado em alguns grupos da internet, os quadrinhos de super heróis brasileiros tem ganhado cada vez mais autores e publico, como vê isso?
Juliano - Como disse acima, na minha opinião a questão é cultural, o tal complexo de vira-lata. É uma mania maluca que as pessoas possuem de criticar por criticar, sem nenhum embasamento. É um mal humor danado. "Que desenho ruim!" Esse personagem é uma cópia!" Aí você vai pesquisar e essas pessoas não fazem nada, não produzem, só criticam.
Acredito que só a produção contínua deste gênero irá conquistar seu espaço e acabar um pouco com esse preconceito.

Qual o diferencial que você vê nos super heróis criados aqui?
Juliano - Não vejo muita diferença, acho que o gênero super herói é parecido em todos os lugares. Eu não me preocupo em criar algo tipicamente brasileiro, acho apenas que é necessário ambientar o herói nas condições sociais e territoriais do Brasil, criar uma boa história e completar com bons desenhos.

Além do estilo Super-Heróis quais outros estilos gosta e produziu algo?
Juliano - No estilo humor como dito acima sobre o Capitão Brasil.

Fale um pouco de seu processo de trabalho.
Juliano - Eu faço o roteiro em um caderno já desenhando as cenas, depois desenho tudo a lápis é a parte mais prazerosa do processo, rabiscar o papel. Depois digitalizo e arte-finalizo no computador usando uma Bamboo e o software Manga Studio. Após a arte final, levo as páginas para o Photoshop onde aplico as cores e os textos. Uma página completa leva em média 3 dias para ficar pronta.

Quais os artistas que mais te influenciam?
Juliano - Muitos... rsrs vou citar alguns, David Mazzucchelli, George Pérez, Alan Davis e Walter Simonson. Aqui do Brasil, Ivan Reis, Laerte e Angeli.

E no momento quais seus projetos e em que esta trabalhando?
Juliano - Na revista Resistente - volume 1, que está com a campanha no Catarse para viabilizar a impressão. Será publicada na revista as duas primeiras edições, uma pequena história inédita e algumas artes de artistas convidados.
A revista terá formato americano (170mm x 260mm), 56 páginas em papel Couché Fosco 90 gramas e capa em papel Supremo 250 gramas tudo com impressão colorida.
Esse é o link do projeto www.catarse.me/pt/resistente.

Qual sua opinião sobre os quadrinhos no formato digital?
Juliano - Acho que é de grande ajuda para iniciar uma publicação e promover um personagem.
Mas na minha opinião, ler quadrinhos em formato digital ainda é desconfortável. O prazer em manusear e sentir o cheiro do papel não tem preço.

Agradecemos a Juliano pela entrevista e desejamos sorte em suas produções!
Para apoiar o lançamento do 1º albúm do Resistente clique AQUI! 


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