domingo, 1 de março de 2015

Entrevista com Reginaldo Nakamura criador da musa Maxine!!!


Reginaldo Nakamura é mais um exemplo de como os roteiristas brasileiros tem se desenvolvido, sobretudo no gênero super-herói, e tem trazido trabalhos inspirados ao publico leitor, a exemplo sua personagem Maxine que acaba de ganhar uma belíssima edição pela universo editora já é em sua estréia alvo de elogios rasgados. Confira nossa entrevista com este jovem talento dos quadrinhos nacionais!



Fale um pouco de seu envolvimento com quadrinhos?

Nakamura - Desde criança eu sempre gostei de quadrinhos, praticamente, eles incentivaram a minha alfabetização, mas a ideia de que eu poderia produzir algo só surgiu
depois dos meus 18 anos, quando eu entrei em contato com a galera que vinha produzindo os seus fanzines. Hoje eu percebo, que na época eu era bem limitado nos desenhos e mais ainda nos roteiros, para não dizer horrível, mas essa foi uma experiência muito boa, pois pude entrar em contato com caras que já faziam trabalhos bem legais como o Laudo Ferreira Jr. Depois dessa fase inicial dos fanzines, fiquei uns dez anos afastado dos quadrinhos e só voltei a me animara desenhar e a produzir algo quando conheci o pessoal que estava divulgando os seus trabalhos por meio do fotolog Terra.

Como se deu o processo de criação de sua personagem Maxine, fale um pouco sobre ela.

Nakamura - Foi meio por acaso, eu queria fazer uma brincadeira com uma história que se passava dentro de uma convenção de quadrinhos e precisava inventar o visual de uma super-heroína que, logo na primeira olhada, os leitores percebessem de que se tratava de uma heroína saída das páginas dos quadrinhos.
O visual tinha que ser bem típico. Como muitos heróis dos comics se vestiam com as cores da bandeira dos EUA, resolvi fazer uma garota com uma roupa de super-heroína com as cores da bandeira do Brasil, mas nunca pensei em uma super-heroína patriótica ou algo assim.
Essa história não foi para frente, mas o pessoal no fotolog gostou do design do uniforme dela e assim acabou surgindo a Maxine.

A escolha do ilustrador Alan Campos também foi bem sacada para a revista e casou perfeitamente com o estilo da personagem, essa parceria vai continuar?

Nakamura - O Alan é um ilustrador de mão cheia, mas em virtude da minha inexperiência no roteiro e de uma maior compreensão do que afinal eu queria da minha personagem, o roteiro foi modificado várias vezes e o Alan deve ter tido uma paciência bem grande comigo, ( risos ). As páginas apresentadas neste primeiro número da revista da Maxine já foram desenhadas há um tempinho e hoje acredito que ele está envolvido em outros projetos. Contudo, assim que possível pretendo encomendar outras ilustrações dele que possam servir como pôsteres ou capas para a revista. A arte do Alan só engrandece a minha personagem!

Como é seu método particular de trabalhar o super herói nacional? 

Nakamura - Bom, hoje eu percebo que o mais importante é abandonar esse tipo de rótulo. Eu não escrevo roteiros de uma "super-heroína nacional", o que eu tento fazer são roteiros. O que vale para escrever o roteiro de um filme, uma novela ou um seriado de TV, também vale para escrever quadrinhos, não importa de que se trate de uma história de super-heróis ou de qualquer outro gênero.

Entendo que quando o Stan lee começou a despontar com o Homem-Aranha, ele na verdade não estava escrevendo as histórias do Homem-Aranha, mas sim as histórias do Peter Parker. E essa inversão na compreensão do roteiro fez toda a diferença!

Quando se tem em mente "eu vou escrever uma história de super-herói", logo um monte de ideias preconcebidas começam a pipocar na nossa cabeça. Como eu havia dito antes, não tento fazer isso, apenas tento escrever as histórias da Maxine. O centro dessas histórias nem sempre é a ação em si, mas sua personalidade, seus sentimentos e emoções.
Para falar a verdade nem sei se consigo atingir esse objetivo direito, mas essa ideia me serve de guia.

Para eu chegar a essas conclusões, a leitura de obras como "O Manual do Roteiro" do Syd Fields e "Da Criação ao Roteiro" do Doc Comparato foram fundamentais.
Para escrever um roteiro, minimamente razoável, apenas gostar de quadrinhos e ter lido muitas revistas não basta. Como tudo na vida é preciso estudar,
praticar.

Qual é o diferencial que você vê nos super heróis criados aqui?

Nakamura - Acho, com muita tristeza, que o gênero apesar de não ser novo, é ainda muito incipiente no Brasil. Não há títulos mensais de grandes editoras que dêem sustentação a ele. Os melhores títulos lançados, muitas vezes são publicados graças ao investimento de recursos dos próprios autores. Muitos dos nossos artistas ao atingirem um nível destacado acabam sendo contratados pelas editoras norte-americanas e o gênero acaba ainda mais desfalcado.                                                               Ainda que hajam bons exemplos de artistas de alto nível que estão bravamente publicando por aqui, em um esquema mais ou menos independente, estes são poucos. A maioria dos trabalhos tem uma qualidade ainda também incipiente e não por acaso, dada a disparidade de recursos, entre as grandes editoras dos EUA e os artistas brasileiros que continuam militando no gênero, no circuito independente.

Nos Estados Unidos, isso não é assim, um garoto de 18 anos que resolve imprimir em uma gráfica-rápida 500 exemplares do super-herói que acabou de criar não tem que arcar com o peso de ter de representar o gênero em seu país. Não tem a obrigação de ser o novo Neal Adams. Muitos não são. É por isso, que atualmente nas editoras dos EUA há espaço para tantos artistas do Brasil, da Itália, da França e de tantos outros lugares. Infelizmente, quando
Sara Pichelli, Olivier Coipel ou Ivan Reis, desenham histórias nos EUA, eles não estão produzindo quadrinhos italianos, franceses ou brasileiros, mas comics norte-americanos.


Quais estilos de quadrinhos gosta e autores que o influenciam?

Nakamura - Eu gosto de todos os estilos do infantil ao erótico, do underground ao comics, do mangá ao europeu, há sempre bons artistas, em qualquer estilo, o importante é descobrí-los. Ao longo da minha jornada quadrinhística pude adquirir exemplares da Cimoc - espanhola, da Fierro - argentina, Heavy Metal - dos EUA, Fluide Glacial, A Suivre, Bodoi, álbuns da Casterman e Glenat - da França, além dos quadrinhos em português publicados pela Meribérica e claro pelas editoras brasileiras.
Tive acesso até àqueles mangás parecidos com listas telefônicas importados do Japão graças aos meus avós japoneses.

Quanto aos autores acho que o que eu faço nos desenhos e no roteiro tem muita afinidade com o que o Jaime Hernandez fazia na revista Love and Rockets misturado com influências diversas, principalmente, dos comics norte-americanos. Particularmente, no roteiro de Maxine, eu ainda apontaria uma certa influência dos mangás para adolescentes Video-Girl Ai do Masakazu Katsura e Love Hina do Ken Akamatsu. Mas gosto de muito mais autores que necessariamente não influenciam diretamente o meu trabalho e aí a lista seria bem longa.


Como tem visto os super heróis em mídias como Desenhos Animados e Filmes? 

Nakamura - Tenho gostado dos filmes que assisti, mas não costumo assistir muitos deles, pelo
Netflix tenho assistido muitas séries. Creio que principalmente em termos de roteiro é preciso assistir de tudo. Se você trabalha com super-heróis as melhores sacadas podem surgir muito mais assistindo séries como "The Client List" ou "Dance Academy" (gosto muito das duas!) do que, por exemplo, "Marvels Agent of Shield" ( que também gosto!).Já em relação aos desenhos de super-herói não costumo assistir, prefiro mais coisas mais surreais, na linha "Apenas um Show".

Falando de outras mídias acho que a gente pode incluir aí também os cosplays, neste quesito, muitas meninas brasileiras, estão produzindo trabalhos surpreendentes com o apoio de fotógrafos profissionais. Das que eu pude seguir mais assiduamente os trabalhos destaco a S. Lancaster e a Mel Rayzel, mas existem muitas outras garotas com trabalhos muito bons! De modo geral, a América Latina tem apresentado cosplayers com trabalhos muito bem feitos, a Kitty Honey que fez a Maxine é um bom exemplo delas.

Quais outros super heróis e autores brasileiros no estilo que gosta?

Nakamura - Eu tenho uma grande simpatia por todos, mas se tivesse escolher um top 10 das versões impressas, incluindo o gênero "espada e magia" junto, a minha lista seria assim:

1- Leão Negro - Cynthia Carvalho
2- Valquíria - Alex Mir e Alex Genaro
3- Quebra-Queixo - Marcelo Campos
4- Maximus - Alan Yango
5- A Tribo e Aline - Cortizo e Tony Brandão
6- Cometa - Samicler Gonçalves
7- Comando V - Allan Goldman
8- Pátria Armada - Klebs Jr.
9- Os Invictos - Rafael Tavares e Renato Rei
10- Velta - Emir Ribeiro


E no momento em que projetos esta trabalhando?

Nakamura - Basicamente nas próximas histórias da Maxine, embora participações dela em histórias de outros personagens podem vir a ser tornar realidade pelas conversas que ando
tendo com outros colegas dos quais admiro muito o trabalho.

Fale sobre a publicação da revista da Maxine pela Universo Editora.

Nakamura - Foi uma alternativa muito bem-vinda que acabou se abrindo para mim. O custo inicial mais baixo oferecido pelo Gil me permite poder trabalhar mais na divulgação da Maxine, enviando muitos exemplares gratuitos, para as pessoas certas.Não devemos nos iludir, enquanto as pessoas não conhecem os nossos trabalhos, dificilmente elas comprarão as nossas revistas. Nessa fase, não tenho a mínima preocupação em reaver os custos que tive com a produção desta história. Isso, se ocorrer,
acontecerá no futuro, se as pessoas aprovarem a Maxine, se realmente ela tiver o mínimo de qualidade esperado. É preciso ter os pés no chão e a mente aberta para não quebrar a cara lá adiante.

Apesar de não ter uma vendagem estrondosa, as pessoas que tiveram acesso gostaram da revista e demonstram ter entendido a minha proposta ao retratar a Maxine.
Isso já é um bom começo!

Obrigado Reginaldo, É um prazer ter voce em nosso espaço, o espaço esta sempre aberto!


Para adquirir a revista entre em contato com a Universo Editora AQUI!

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Um comentário:

  1. Está de parabéns para mim foi uma grande novidade e aquisição pessoal e para o mercado nacional de HQ!. Gráfico qualidade 9 só não é 10 por que não está colorido :), enredo 8. No aguardo da segunda edição!.

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